Raven Monroe
Acho que sempre soube que morreria jovem. Como se houvesse um relógio
invisível e silencioso, pendurado sobre minha cabeça, marcando os segundos até
o fim. Talvez fosse por isso que eu sempre fui imprudente, louca. Buscava
aventuras, me jogava no perigo. Nada me assustava... exceto aquela sensação
constante de que havia algo escondido nos cantos mais escuros, debaixo das
camas, dentro dos armários, como um fantasma à espreita.
Esperando para me levar. O meu próprio ceifador.
Mas só durante uma tempestade elétrica eu conseguia ver seu contorno.
Sem foice. Apenas uma sombra alta, encapuzada, sem rosto, me encarando no
escuro. E a verdade é que nunca foi a tempestade em si que me assustou. Não
eram os trovões, nem o vento uivante, nem o barulho da chuva contra as janelas.
Era apenas aquele raio maldito.
Talvez faça sentido que eu morra antes dos vinte, durante a maior
tempestade elétrica do século. Sempre imaginei que meu fim viria em algo
perigoso. Mas, sinceramente? Eu até aceitaria uma morte banal — um aneurisma
enquanto durmo, um ataque cardíaco precoce. Qualquer coisa. Aceitaria qualquer
destino, menos esse...

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